Balanço

De à sombra do futuro

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Balanço

Marcius Galan


Dentro do contexto das artes visuais é bastante curioso notar que muitas das obras de Marcius Galan são um desafio para os olhos. E não um desafio decorrente da complexidade visual dessas obras, mas sim porque elas, numa visada rápida, aparentam ser algo que, numa inspeção mais cuidadosa, acabam por não ser. Mas, ao contrário do que possa parecer (de novo) isso não significa que esses trabalhos nos enganem, pelo contrário, vê-los é antes de tudo ser lembrado do quanto é necessário desconfiar daquilo que vemos para, então, tentar perceber além da visão. Balanço não é diferente. Realizado em 2008 — ano em que, devemos lembrar, a mídia alardeava mais uma suposta crise global do capitalismo financeiro — a peça foi concebida para ser exposta em uma grande feira internacional de compra e venda de arte contemporânea. E lá, o local por excelência da especulação financeira em torno da arte contemporânea, certamente encontrou um ambiente propício para ativar sua ironia.

Olhamos uma calculadora numa situação de precariedade, no limite da base sobre a qual está apoiada, prestes a cair e destruir-se no chão, para só depois, em dois tempos, ver. Primeiro que a calculadora não é uma calculadora e, segundo, que ela não está prestes a cair.

É só aproximando-nos da obra que vemos que a base e aquilo com aparência de calculadora são uma coisa só, que se mantém irrevogavelmente fixa em sua posição. A condição crítica de instabilidade é estável e construída, a crise revela-se solidez característica e irrevogável e não um momento transitório.


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Blog do artista http://marcius-trabalhos.blogspot.com/