Movimento Monocromático

De à sombra do futuro

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Movimento monocromático

Tiago Judas


É interessante notar como Movimento Monocromático funciona, ao menos a princípio, de modo muito semelhante àqueles experimentos ópticos que, se utilizando de círculos cromáticos rotacionados em alta velocidade, demonstram o efeito de mistura aditiva das cores. Neste experimentos, por exemplo, ao se girar rapidamente um disco com as sete cores do arco-íris deixamos de observá-las em separado para enxergar somente o resultado final de sua mistura, no caso, a cor branca. Obtém-se, portanto, a partir de cores concretamete diversas, um efeito monocromático puramente óptico e virtual, ou seja, sem correlação direta com as propriedades materiais de seu objeto. Demonstrando-se assim, portanto, tal qual postulado por Goethe, a natureza relativa, já que sensível e subjetiva, da experiência visual.

A obra de Judas, no entanto, parece se dirigir a um ponto anterior: pergunta tanto sobre a natureza relativa da experiência da cor (existe uma diferença entre uma cor homogênea quando estática e em movimento?) quanto sobre o caráter relativo do próprio movimento no tempo (o quê se move quando algo se desloca sem que qualquer mudança seja de fato percebida?). Para além daquele do simples formalismo, delineia-se aqui um comentário sobre o tempo e, subsequentemente, sobre a própria natureza da história. Afinal, se por um lado encontramos na obra uma análise sobre a constituição da própria experiência sensível, por outro, reconhecemos nela também um comentário sobre um sistema dinâmico no qual estagnação e revolução se indistinguem indefinidamente.


ver também: blog do artista Tiago Judas: http://tiagojudas.blogspot.com/