Proposta de ocupação mínimo-máximo para o espaço

De à sombra do futuro

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Proposta para ocupação mínimo-máximo do espaço

Luciana Ohira & Sérgio Bonilha


Pode-se dizer que Proposta para ocupação mínimo-máximo do espaço é menos uma obra do que um campo de obra. Sua condição objetual e simbólica, expansível e flexível por excelência, evidencia, como já de antemão dado por seu título, as contradições de um objeto que, ao se fincar e se estender pelo espaço, menos ocupa do que projeta uma ocupação.

Tal ambigüidade se torna evidente quando atentamos para a experiência em dois tempos proposta pelo trabalho. Primeiramente, nos deparamos com o espaço simples: a sala, as paredes e o chão enquanto dados direto e insuspeitos, elementos neutros em sua indiferença simbólica. Num segundo momento, como que por acaso ali jogada num canto, como que para reiterar a contingência da ocupação realizada (o caráter site-specific-prêt-à-porter da situação), deparamo-nos com o cerne da obra em questão, uma maleta de madeira contendo os indícios e elementos da ação ali realizada. Invólucro de contenção e transporte, é dali que partem as linhas que, a partir de agora, reconhecemos como nos envolvendo desde de início no espaço.

A tênue linha estendida por Bonilha e Ohira nos interstícios do espaço vazio da instituição, termina assim por ocupar retrospectivamente o próprio vazio de nossa experiência inicial. Como um simultâneo inflar e desmoronar de uma bolha financeira, mediante pura especulação, redefine nossa experiência pregressa e futura, tensionando seu valor abstrato e sensível entre a plenitude e o vazio.